Há uns 10, 15 anos, se me lembro com exatidão, tudo parecia mais fácil. Soa como utopia, mas é realidade. Acreditem! Recordo-me da imagem de meu pai. Segundo ele, o bom funcionário era aquele que não faltava ao trabalho nem se atrasava. Bastava isso para que o tempo de casa lhe garantisse sua empregabilidade.
As áreas eram muito fáceis de serem escolhidas: Medicina, Engenharia ou Advocacia. Se a família pudesse prover uma boa faculdade, o jovem se transformaria em doutor e o sucesso estava praticamente garantido. Já as que não podiam arcar com esses custos, estimulavam seus filhos a prestar um dos muitos concursos públicos.
Nas empresas, ascarreiraseramprojetadasparasesubirdegraupordegrau, escalando o organograma. Geralmente, a ascensão ocorria por duração no cargo ou processos políticos, não por mérito.
Por bem ou por mal, essas eram as regras que pareciam ordenar a vida profissional das pessoas. Porém, e ninguém sabe informar com precisão a partir de quando, o mundo virou. E como virou!
A globalização passou a exigir pessoas que também tenham uma cultura global, que saibam se comunicar com desenvoltura em outros idiomas e entendam as diferentes economias e padrões de funcionamento das corporações. As grandes empresas passaram a ser pontos de referência para um novo estilo de gestão e, portanto, de carreira.
Por serem mais horizontais, destruíram a tradicional hierarquia que só mostrava a relação de poder, não vislumbrava nem o cliente nem os processos.
O FUNCIONÁRIO DE HOJE
A verdade é que, no mundo corporativo, a liderança muda de papel. Troca-se o chefe de antes pelo líder do presente, que está muito mais preocupado em formar novas lideranças.
Como se esse cenário já não fosse diferente o bastante, eis que o maior fenômeno econômico e de negócios de todos os tempos nos atinge quase que simultaneamente: a Internet. Mais que ferramentas tecnológicas, ela cria um novo ambiente corporativo e, por conseqüência, no perfil do profissional deste milênio.
Ninguém ignora que, na chamada era do conhecimento, a regra é educar ou morrer. Educação no sentido mais estrito da palavra - saber o suficiente para decidir, assimilar recentes tecnologias, comportamentos e, sobretudo, monitorar mercados e oportunidades - parece ser um dos elementos-chave da questão da empregabilidade. Busca- se o profissional generalista como perfil. Entendido aqui não como aquele que conhece um pouco de tudo, mas que sabe muito de várias áreas.
Ainda que se possa sentir desconfortável com tantas exigências, é por esse caminho que está a tal da empregabilidade: ser mais informado, informatizado, educado, tecnológico, culto e refinado. Obviamente, não há que se descartar um MBA, idiomas e vivência internacional. Um verdadeiro super- homem. Confortável ou não com essa idéia, não há como recuar e, sim, adaptar-se. Afinal, Darwin e seus conceitos jamais foram tão presentes e tão provados: o mundo é dos adaptáveis!
E você faz a diferença quando, mais que entender as mudanças, for atrás delas com o sentido de aproveitá-las. Mudar, mais que preciso, é fundamental para se obter sucesso e garantir a sua empregabilidade nos próximos anos.
* CARLOS ALBERTO JÚLIO É PRESIDENTE DA HSM DO BRASIL, PROFESSOR, PALESTRANTE E AUTOR DE BEST-SELLERS. GRADUADO EM ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS COM ESPECIALIZAÇÃO NA HARVARD BUSINESS SCHOOL E NO IMD DE LAUSANNE-SUÍÇA ( WWW.CARLOSJULIO.COM.BR)