Recentemente li uma entrevista do sociólogo italiano Domenico de Masi, na qual ele fazia uma comparação entre como era o trabalho no início do período industrial e agora, no pós-industrial. Dentre outras coisas ele dizia que daqui para frente: "O profissional mais disputado pelos head hunters será cada vez mais parecido com uma mulher bela, inteligente, refinada, criativa e sempre mais distante da semelhança com um robô." Noticia melhor, impossível!
Longe de mim o feminismo ou qualquer outra forma de radicalismo e preconceito. A declaração do autor vai muito além de gênero. É sobre perfil de comportamento. O nome do jogo é competência e, para tanto, o que menos importa é se o funcionário é homem ou mulher, o que conta é a sensibilidade. Isso é o fundamental!
ELOGIO EMBASADO
Esse poderia ser apenas mais um elogio de um italiano galanteador, uma miudeza falada assim sem nenhuma conseqüência. Mas veio de um dos maiores intelectuais da atualidade. Não por acaso, ele é o criador da expressão "ócio criativo", título de um de seus livros mais famosos.
Convenhamos, essa idéia é quase uma utopia nos tempos atuais, período de transição de modelos. E se hoje ainda causa espanto, afinal, a palavra trabalho vem do latim tripalium, instrumento romano de tortura, daqui para frente teremos que dar conta da equação: trabalho + felicidade = realização.
Na sociedade atual, chamada pósindustrial, talvez a maior mudança seja o perfil do trabalhador, antigamente chamado de mão-de- obra. Antes, os serviços eram executados com os braços, o acesso ao conhecimento era bastante precário e havia apenas algumas poucas necessidades primárias. As tarefas eram quantitativas e geralmente programadas pelo feitor.
Atualmente, o que a empresa contrata é a mente e a capacidade cerebral do funcionário, que deve dar conta de múltiplas exigências, desempenhando atividades flexíveis e qualitativas. Ou seja, vai produzir valores, idéias, cruzar informações e símbolos. Para isso é fundamental a autogestão. E aí entram dois aspectos: controle (flexível) e motivação (qualitativa).
CONTROLE CORPORATIVO
Dois conceitos radicalmente diferentes. Duas práticas em transição. E não vamos nos iludir, pois o controle ainda está muito presente nos ambientes corporativos, tornando nosso dia-adia uma extensão da expressão latina do sacrifício. A motivação é muito falada e pouco aplicada.
Deve ser exatamente isso que Domenico de Masi quer dizer quando fala em criatividade, refinamento e beleza. E não é preciso ser mulher para trabalhar e desenvolver esses atributos. Basta ser flexível e estar aberto.
Para saber mais sobre as novas tendências do trabalho na pós-modernidade e a respeito das idéias de Domenico de Masi acesse:
www.nova-e.inf.br/exclusivas/ domenicodemasi.htm.
MARISTELA MOURA É COACH DE CARREIRA, DESENVOLVIMENTO HUMANO SISTÊMICO E MAPEAMENTO DE COMPETÊNCIAS. INSTRUTORA DO SEBRAE/SP; PÓS-GRADUADA EM MARKETING E NEUROPSICOLOGIA PELA UFPR E MASTER PRACTITIONER EM PROGRAMAÇÃO NEUROLINGÜÍSTICA- PNL. WWW.MAPEAMENTODECOMPETÊNCIAS.COM.BR