Competitividade acirrada, pressão por resultados e uma jornada diária de trabalho que muita vezes chega a 14 horas, afetam a qualidade do sono de qualquer um e, conseqüentemente, afetam a produtividade profissional. Preocupados com isso, recentemente executivos do mundo inteiro, durante o Fórum Econômico de Davos (Suíça), deixaram temas econômicos importantes para ouvirem a palestra "Por que os cérebros dormem?"
Exagero? Não. Hoje, a insônia está entre um dos grandes vilões da vida no século 21. As estatísticas apontam que o mal atinge uma em cada três pessoas. Em termos mundiais, 30% da população tem, pelo menos, uma vez por semana, uma noite mal dormida.
Com a mulheres, então, a situação é ainda mais dramática. O número de prejudicadas chega a ser duas vezes superior ao dos homens. E mais: entre os grupos estudados, as executivas são as vítimas mais comuns de distúrbios do sono.

FONTE: ANDREA BACELAR, NEUROLOGISTA DA CLÍNICA CARLOS BACELAR (RIO DE JANEIRO) E ESPECIALIZADA EM MEDICINA DO SONO
Os pesquisadores atribuem esse cenário ao fato de que elas costumam levar para o repouso as preocupações do dia seguinte e se estressam tentando conciliar a vida profissional com as tarefas domésticas. E aí não tem jeito, rolar na cama passa a ser uma rotina e as poucas horas dormidas são entrecortadas.
Uma noite maldormida deixa a ação física e mental mais lentas, alerta a psicóloga Márcia Norcia. "A pessoa fica com dificuldade para elaborar e processar idéias, além de causar prejuízo à memória e interferir na recuperação da energia gasta pelo corpo durante o dia", enume ra. Além disso, esse distúrbio pode interferir na esfera afetivo-emocional. "Junte cansaço físico, mental e mal-humor e os efeitos serão de baixo rendimento no trabalho", completa Márcia.
REVIGORE-SE
A função do sono é, entre outras, a de recuperar o gasto mental e físico que o corpo teve no decorrer do período. Portanto, quem não dorme bem fica sonolento e irritado. "A pessoa passa a ter um comportamento diferente do habitual no trabalho", explica o neurologista Rubens Reimão, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. E este não é o único dano: basta você revirar no leito por uma hora e meia para ter uma redução de 32% no nível de atenção nas horas acordada.
Fora isso, a repetição de noites maldormidas é suficiente para que o organismo envelheça mais rápido, a memória seja penalizada, o metabolismo se torne mais lento e a resistência física abalada. Tudo isso, diz a psicóloga, "acontece porque, durante o sono, nos desligamos da percepção que temos do ambiente que nos cerca e modifi- camos o nosso nível de consciência. Trata-se de um processo que envolve múltiplos mecanismos fisiológicos e comportamentais, presentes em várias regiões do sistema nervoso central".
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