Vida Executiva
Edição 36 - Maio/2007
 
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Horas demais, produtividade de menos
Descubra quando a famosa hora extra deixa de ser útil e começa a atrapalhar o seu rendimento no trabalho, sua imagem e até mesmo a empresa

TEXTO LUCIANA FUOCO

FOTO SÍMBOLO IMAGENSA CULTURA DA HORA EXTRA não existe apenas no Brasil, mas temos de admitir que há muito tempo ela já faz parte das corporações. Segundo pesquisa feita pelo International Stress Management Association (Isma-BR), que entrevistou todas as categorias de trabalhadores de todos os setores - entre eles executivos, professores e profissionais da saúde - constatou que a carga horária tem aumentado a cada ano, década após década. Hoje, o tempo de trabalho varia de 50 a 54 horas por semana, contra as 44 horas semanais estabelecidas pela Constituição de 1998.

A moda da hora extra vem da terra do tio Sam, em que o tempo de trabalho chegou a 2 mil horas/ano, nos anos 90. Mas tudo isso não é vontade de trabalhar, não.

É que os americanos querem consumir mais e melhorar o padrão de vida.

Aqui, no Brasil, duas vertentes corroboram para esta situação. Por um lado estão os profissionais (e não são apenas os de classe mais baixa, pois os executivos também se valem da mesma premissa), que usam e abusam das horas extras por motivos semelhantes aos dos americanos, ou seja, ganhar mais.

Há ainda o medo do desemprego, que leva a pessoa a trabalhar além do previsto. "Também persiste a cultura de que só é bem-visto aquele que vai embora depois do chefe. Claro que isto não acontece em todas as empresas, mas este fantasma ainda ronda os profissionais. Até mesmo os que possuem cargos executivos", diz Luisa Chomuni Alves, consultora de carreira da Thomas Case & Associados.

Ao mesmo tempo temos empresas que se valem desse recurso para aumentar a produção sem arcar com os gastos de novas contratações, afinal, sobre os salários há 102% de encargos sociais. Isto significa que, muitas vezes, vale mais a pena pagar horas extras ao funcionário contratado do que empregar um novo.

Esses dados servem para referendar algo que a maioria dos brasileiros já sabe por experiência própria: trabalha-se muito. Mas será que trabalha-se bem?

BAIXO RENDIMENTO
O trabalho extra, no entanto, tem conseqüências sobre a produtividade. Se pensarmos que hoje muito do trabalho existente tem natureza intelectual, não faz sentido medir a produção de alguém pelo número de horas passadas dentro da companhia. O que vale, agora, é o resultado final. "Atualmente , quem faz muita hora extra a longo prazo não é bem-aceito e também não é um executivo de destaque ou com a carreira em crescimento, porque as horas a mais faz com que a produtividade caia", afirma Rodolfo Eschenbach, sócio-diretor da área de Human Performance da Accenture.

Não é difícil imaginar os efeitos que 10 ou 12 horas de trabalho provocam no executivo. "Quem passa muito tempo no trabalho fica cansado e apresenta sinais de estresse. Isso não só é ruim para o colaborador como também para a empresa", avalia a consultora Luisa.

Hoje, muitas organizações preferem que o profissional cumpra sua jornada 'normal', evitando se alongar, para que possa ter um bom rendimento no dia seguinte. "Hora extra produz mais trabalho. Mais produtividade?

Depende. Se for hora extra obrigatória, recorrente, sob pressão, em clima pesado, a produtividade é questionável. Mas se for com objetivo claro, definido, com estrutura e esporádica, acho que vale a pena e dá até um gostinho de vitória, após a conclusão do serviço", fala Silvia Teixeira da Costa, Gerente de Recursos Humanos da Cameron do Brasil.

No final da década de 90, os americanos trabalhavam 2 mil horas/ano

ATENÇÃO DOBRADA
O famoso 'serão' nem sempre é vilão na história e, em determinadas situações sua existência é mais do que necessária.

A hora além do expediente comum deve existir quando a empresa solicita ao colaborador uma atenção para um projeto em que tem prazo curto para entrega, nas vendas de final do ano ou datas comemorativas, e que requer a compreensão do funcionário. "Mudanças, em geral, são seguidas de períodos de horas extras, sempre úteis para ajustar os processos, mas a tendência é que tudo volte ao normal", explica Sílvia.

Segundo o headhunter Nelson Leal, da Perfil Inteligência em Recursos Humanos, hoje, o mercado não absorve mais o profissional workaholic. "Geralmente, quando sou contratado por empresas para encontrar um colaborador, procuro sempre buscar para meu cliente um profissional saudável, que saiba conciliar trabalho, lazer, vida social e familiar, pois passamos a maior parte da nossa vida num ambiente corporativo", afirma.

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