Vida Executiva
Edição 36 - Maio/2007
 
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"Mamãe, por favor, chega cedo hoje!"
Conciliar a carreira com a família nem sempre é fácil, pois os conflitos surgem. Mas, acredite, dá, sim, para ter uma vida mais estável e equilibrada

TEXTO ELKE MUNIZ

FOTOS SÍMBOLO IMAGENSAPOSTO QUE VOCÊ JÁ ficou numa saia-justa quando seu filho, com aquela expressão carente, lhe perguntou por que você trabalha tanto e nem sempre chega cedo em casa. Assim como você, a maioria das mulheres que investe numa carreira passa por situações semelhantes e se sente culpada. É natural que isso aconteça, até porque nossa cultura nos levou a acreditar que passar horas longe da família era um papel exclusivo dos homens. Hoje, porém, as mulheres mostram que tudo mudou.

Agora, tanto eles quanto nós temos uma vida corrida, atribulada e cheia de compromissos profissionais. Em algumas fases temos até que dedicar mais tempo ao trabalho. Mas, calma, pois é possível ter tranqüilidade e segurança na hora de responder aos questionamentos ou atender às necessidades dos filhos e do marido e ainda se livrar do sentimento de culpa. Se você tem feito muitas horas extras, permanecido na companhia bem mais do que estava acostumada, aproveite os momentos com a família para explicar o quanto é importante esta etapa profissional e que precisa do apoio deles para que tudo dê certo, além de dizer as vantagens (até financeiras, como a possibilidade de fazer aquela viagem tão sonhada) que vocês terão em poder compartilhar os resultados de tanto esforço. Diga para as crianças que é fundamental para você a compreensão deles, que a ajudará a ser uma pessoa realizada e, portanto, uma mãe melhor.

Ao final, ressalte que é só uma fase e que tudo voltará ao normal assim que o projeto for concluído, por exemplo.

CONFLITOS
Geralmente, e em função da nossa educação e cultura, ainda há entre algumas mulheres um sentimento de culpa quando é necessário abrir mão de algumas horas a mais com a família. Esse questionamento surge com mais freqüência quando a mulher está passando por uma instabilidade conjugal, ou se depara com um fi- lho em crise, ou ainda quando a empresa demanda mais do que a profissional pode dar naquele momento.

Para acabar com os conflitos em casa, ou gerenciá-los da melhor maneira, conseguir o apoio da família e ainda transformá- la numa verdadeira torcida a favor do seu crescimento profissional, muitas mulheres descobriram formas de trilhar esse caminho.

E o mercado de trabalho está repleto de boas profissionais que almejam o sucesso e ao mesmo tempo têm a colaboração do marido e dos filhos, sem esquecer, é claro, o entusiasmo deles para suas conquistas.

FLEXIBILIDADE
Embora não sejam todos, os homens já estão mais flexíveis quando o assunto é dividir as tarefas domésticas. No entanto, se a nova forma de pensar e agir não é unanimidade entre a ala masculina, também não é entre as mulheres. A visão desse homem 'participante' varia de uma para outra e há desde aquela que acha que ele precisa de mais tempo para aprender até a que considera que a contribuição masculina tem um limite pela própria condição da mulher no mundo.

"Meu marido ajuda, mas eu sei que tenho de estar lá. A presença feminina é indispensável. O filho sente mais a ausência da mãe que a do pai", pondera Jamile Guimarães de Faria, 33 anos, analista de sistemas, mãe de Bruno, 3 anos.

O fato de trabalhar em uma empresa flexível, a TAM, lhe garante mais facilidade para negociar em casa quando necessita ficar mais tempo na companhia.

"Trabalho com uma equipe que cumpre horários e, às vezes, até preciso permanecer um período maior, mas não é constante. Assim, consigo ficar com a minha família", diz, satisfeita com seu ritmo.

PARA EQUILIBRAR
"Como numa empresa, na família também deve haver colaboração na administração de responsabilidades. Marido, mulher e filhos podem dividir afazeres, distribuir obrigações e fomentar a cooperação", diz Vivien Bonafer Ponzoni, psicoterapeuta, especialista em casal e família, coordenadora do Núcleo de Casal e Família da Associação Brasileira de Psicodrama e Sociodrama. Segundo ela, o fato de o casal passar longa parte do dia fora de casa não constitui em si um problema. O que faz a diferença é como ambos se comportam ao entrar no lar. "Um pequeno exercício de observação pode trazer mudanças importantes. Olhe para você e perceba se é capaz de sorrir quando está em casa", orienta. Para a especialista é indispensável respeitar as diferenças e entender que cada um tem as suas possibilidades de desempenhar atividades e auxiliar para uma vida mais saudável em família. Assim, lembrar-se de que não há um jeito certo de fazer coisas e que não existe uma única solução para as dificuldades, facilita a abertura de novas alternativas no funcionamento da família. Veja algumas dicas:
1. Pense que nem sempre seu marido e filhos têm a mesma quantidade de informação sobre seus desejos, como você imagina que tenham;
2. Deixe claro suas expectativas e possibilidades de atuação, no sentido de contribuir para que o sistema familiar se desenvolva;
3. Filhos não são pais. Seus deveres estão contidos pelas suas necessidades infantis ou juvenis;
4. É sempre possível resgatar sua confiança na vida. Nascemos com essa capacidade. Busque-a dentro de si e a faça presente em sua família;
5. Olhe os aspectos positivos de cada pessoa do seu grupo familiar e os legitime, isso aumentará a autoconfiança de todos. "A família que consegue lidar amorosamente com os desafios desta nova realidade, tende a resolver seus conflitos com maior facilidade e tece a segurança através das divergências. Diferentes somos todos nós. O importante é o que fazemos com essa diferença", conclui a especialista.

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