PERGUNTE A UM BOM HEADHUNTER, profissional que, literalmente, "caça" talentos no mercado, qual o peso de um MBA (Master in Business Administration) na trajetória de um candidato a uma vaga de emprego. Sem dúvida, é enorme, principalmente se a faculdade for uma instituição de primeira linha. Hoje, as ofertas desse tipo de curso se multiplicam pelo país. Mas nem todo mundo sabe, por exemplo, que essa nomenclatura de origem norte-americana não é nem reconhecida pelo Ministério da Educação (MEC).
Na verdade, a maior parte dos programas realizados no Brasil segue a categoria de especialização (lato sensu), ou seja, acaba sendo uma pós-graduação com nome invocado. Por conta disso, as instituições de ensino superior credenciadas junto ao ministério têm autonomia para oferecer a modalidade que desejarem, desde que dentro da sua área de competência ou especialização.
O problema é que as boas opções do mercado representam um investimento expressivo, mesmo para um executivo. Um curso no mercado nacional pode ultrapassar brincando os R$ 40 mil para uma carga horária média de 440 horas.
CUSTO ALTO E JUSTO
"A decisão exige planejamento para evitar o desperdício de investimento e o descontrole financeiro", afirma Carlos Osmar Bertero, presidente da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração (Anpad). O professor Paulo Tarso Vilela de Resende, da Fundação Dom Cabral, de Minas Gerais, esclarece que o custo elevado se justifica, sendo proporcional à qualificação da banca de professores e ao material didático oferecido nas salas de aula. "Além disso, há os custos com instalações de bom nível, que garantem recursos tecnológicos de última geração, cases internacionais e livros de autores mundiais", afirma.
Uma vez definido o curso, é hora de pensar em como pagá-lo. Por não serem beneficiados pelos programas oficiais de bolsa (ao contrário dos cursos internacionais), restam poucas alternativas atraentes no mercado. Uma delas é a de crédito pessoal com empréstimo consignado. "Com a concordância do empregador, as parcelas são descontadas do contracheque do executivo, com juros na faixa de 1,4% ao mês", explica Carlos Osmar Bertero, presidente da Anpad. Nesse caso, a empresa precisa ter convênio com o banco e, claro, estimular esse tipo de formação.
Algumas instituições financeiras conveniadas às universidades que dispõem de programas de MBA também mantêm linhas especiais de crédito para os estudantes. As taxas de juros oscilam entre 1,45% e 2,5% ao mês. Entre os bancos que oferecem esse benefício estão Bradesco, Caixa Econômica Federal, Banco Real e Santander.
Embora seja mais difícil para algumas pessoas, outra opção é planejar com antecedência os gastos e fazer depósitos programados na caderneta de poupança por pelo menos seis meses antes de se matricular na escola escolhida. A aplicação hoje rende 6% ao ano, mais a variação da Taxa Referencial (TR). O valor do investimento mensal nesse caso não deve ser inferior a R$ 2 mil. Segundo Carlos Osmar Bertero, presidente da Anpad, essas alternativas são melhores do que recorrer ao cartão de crédito, que possui juros na casa dos 12%, ou ao cheque especial, que apresenta taxas de 8% ao mês, em média. Afinal, a médio e longo prazos o candidato pode se descapitalizar ou se endividar.
Jorge Risco Becerra, coordenador financeiro do Programa de Educação Continuada da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli/USP), concorda e alerta que o ideal é possuir uma reserva que não comprometa o orçamento da família. Até porque num período de dois anos podem ocorrer imprevistos, como a perda do emprego.
"O curso tem o preço de carro. Às vezes, é melhor vender esse bem"
Cláudio Felisoni |
JAMAIS SE ENDIVIDE
"A queda da renda ainda representa 90% dos casos de interrupção ou afastamento do MBA, seguido de problemas de doença ou mudança de local de trabalho", diz.
Outra solução é abrir mão de um bem da família, como fala Cláudio Felisoni de Ângelo, diretor-presidente da Fundação Instituto de Administração (FIA/USP), em prol da educação e das novas portas que o curso pode abrir. "Um MBA representa o custo de automóvel. Em muitos casos, o profissional vai ter de se valer de um bem para fazer esse investimento e não contrair dívidas. Mas a escolha é pessoal".
Um MBA é bom para...
Como o Master in Business Administration é um programa nacional de educação executiva, pode ser uma opção para quem:
- Tem experiência, tempo de carreira e de mercado - porque a vivência é determinante no desenvolvimento do conteúdo curricular;
- Não pretende seguir carreira acadêmica ou na área de pesquisa, pois esse tipo de curso é diferente do mestrado ou doutorado;
- Possui bons conhecimentos de inglês, pois muitos livros usados no curso são escritos nesse idioma.
- Se a idéia for investir num MBA no exterior, aí é preciso ter fluência;
- Deseja se especializar na gestão de negócios porque vai ter aulas de administração, recursos humanos, marketing e finanças;
- Pretende abrir definitivamente as portas do mundo corporativo - afinal, um diploma de MBA é sempre bem-visto pelos recrutadores.
Vale investir em um curso no exterior?
Fora do Brasil, o MBA segue um modelo mais rígido do que os formatos apresentados por aqui e tem o valor de um mestrado. "Nos Estados Unidos, por exemplo, é preciso cursar dois anos de residência na universidade, com dedicação exclusiva e integral", explica o presidente da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração (Anpad), Carlos Osmar Bertero. O investimento também é muito mais alto. "O custo será de uns US$ 150 mil, num programa de dois anos em universidades de renome, como Stanford e Harvard", explica. Nesse valor estão incluídas despesas com o curso, seguro-saúde obrigatório, alimentação e moradia. O consultor Carlos Megaron, autor do livro MBA - 22 Histórias de Sucesso destaca que a escolha deve ser criteriosa. "Se pesquisar os programas que darão suporte ao seu projeto, o candidato não encontrará mais de cinco que atendam suas expectativas", afirma. Se mesmo assim quiser arriscar, pode tentar uma bolsa pelo Instituto Ling (www.institutoling.org.br) ou pela Fundação Estudar (www.estudar.org.br), que chegam a cobrir até 100% das despesas, dependendo da modalidade da bolsa.