Vida Executiva
Edição 41 - Outubro/2007
 
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Workaholic ou workalover: qual é a sua tribo?
No mundo dos negócios, a tendência de exceder limites não é novidade. A cada ano que passa surgem terminologias para definir os compulsivos por trabalho - uns por obrigação; outros, como o pintor Picasso, por puro prazer

TEXTO SUCENA SHKRADA RESK

FOTOS TÂNIA LUMENA/ SÍMBOLO IMAGENSA PALAVRA WORKAHOLIC há muito tempo faz parte do universo corporativo. Dependendo da quantidade de trabalho sobre sua mesa, você já deve ter sido chamada - mesmo sem saber - de compulsiva (tradução literal para esse estrangeirismo). Comum nas empresas há pelo menos 30 anos, a expressão continua em alta. Só que agora divide as atenções com outro termo: workalover (amante de trabalho).

Nos dois casos, o dia parece ser insuficiente para dar conta da agenda repleta de reuniões. As refeições ficam em segundo, terceiro ou até quarto plano. Férias e folgas também se acumulam nessa jornada extenuante em busca da produtividade. Ao chegar em casa, a pessoa não consegue se desligar dos compromissos. Na empresa, mergulha de cabeça nas tarefas.

A diferença entre os dois perfis? O fato de dedicarem tempo exagerado às atividades profissionais - um por compulsão; o outro, por amor. Um dos casos mais conhecidos de pessoa apaixonada pelo que fazia é o do pintor espanhol Pablo Picasso (1881-1973), que fez arte até o último dia de vida. "O workaholic tem sua identidade no trabalho e não se sente útil ou gratificado fora desse ambiente. A maioria não sente prazer em outras áreas da vida", explica a psicóloga Ana Maria Rossi, presidente da seção brasileira da International Stress Management Association (Isma-BR) - entidade sem fins lucrativos voltada à pesquisa e ao tratamento do estresse.

Já o workalover, embora trabalhe demais, consegue brechas na agenda e não compromete outras áreas. "Sua dedicação está baseada no prazer", explica Wanderley Codo, professor do laboratório de Psicologia do Trabalho da Universidade de Brasília (UnB), e um dos criadores do termo.

"Muitos executivos, geralmente depois dos 45 anos, têm um insight e se questionam - para onde eu vou? E começam a ver o tempo como um patrimônio"
Elaine Saad

É UM DESVIO?
Maurício Serva, presidente do Centro de Pesquisa e Informação sobre a Economia Pública, Social e Cooperativa (Ciriec) e professor de Administração da Universidade Federal de Santa Catarina, explica que há um consenso entre os especialistas de que a compulsão por trabalho é, antes de tudo, um desvio de comportamento. Atinge principalmente as empresas que têm um alto nível de competitividade.

O alerta do consultor é que, pela freqüência com que acontece no mundo corporativo, pode virar um sério problema de saúde pública. "O profissional somatiza e, em casos mais graves, até enfarta", comenta. Serva e o vice-presidente da Ciriec, Jorge Amado, se debruçaram sobre o tema e realizaram uma pesquisa de campo em 2003. Eles ouviram oito executivos na faixa de 30 a 60 anos, nas cidades de Curitiba, Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo.

Pelo que puderam constatar nesse levantamento, chamado de O Fenômeno Workaholic na Gestão das Empresas, em 2004, uma das razões que desencadeava o fenômeno do workaholic era justamente a pressão por resultados - conseqüência direta das demissões em massa que ocorreram nos anos 90 (na verdade, o chamado downsizing: em bom português, enxugamento de pessoal). A reengenharia provocou a extinção de departamentos e o acúmulo de funções em mais de uma área.

Já Elaine Saad, diretora para a América Latina da Right Management - empresa de recrutamento de executivos - diz que tanto um profissional quanto o outro podem se tornar pessoas chatas e, com esse comportamento, afastar todos de seu convívio. Tudo porque, mesmo sem precisar, arranjam mais trabalho, criam relatórios e levam o notebook para casa, de onde ficam mandando e respondendo e-mails profissionais nos finais de semana.

tanto um profissional quanto o outro podem se tornar pessoas chatas e, com esse comportamento, afastar todos de seu convívio. Tudo porque, mesmo sem precisar, arranjam mais trabalho, criam relatórios e levam o notebook para casa, de onde ficam mandando e respondendo e-mails profissionais nos finais de semana.

Mas o workalover, segundo Ana Maria Rossi, deve avaliar se essa carga extra de atividades está causando algum prejuízo, como perder o sono, deteriorando os relacionamentos e resultando em pensamentos de frustração. Caso isso aconteça, é o sinal para mudar
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