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Edição 43 - Dezembro/2007
 
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Tudo azul
Dezembro é tempo de receber um reforço no orçamento com a chegada do 13º salário. Veja o que fazer para esse dinheiro extra trabalhar a seu favor

TEXTO SUCENA SHKRADA RESK

CAUTELA E BOM SENSO. Essas são as recomendações dos especialistas em finanças para quem vê, em dezembro, seus rendimentos engordarem - reforçados pela chegada do 13º salário e até pela participação nos lucros, paga por muitas empresas nesta época do ano. A dica deles vale tanto para quem está com as contas em dia como para os que encontram nesse dindim a solução para entrar 2008 no azul.

CONTAS EM ORDEM

Suas contas estão em dia? Então, faça o dinheiro extra trabalhar a seu favor. Uma opção é investir para multiplicar os recursos. "Se, por exemplo, uma pessoa quer comprar um carro novo e tem disposição para esperar, a poupança pode ser uma opção", aconselha Raphael Cordeiro, autor do livro O Sovina e o perdulário (Elsevier, 160 páginas), da coleção Expomoney. Afinal, como rende 8% ao ano, em média, é a solução para quem tem dinheiro sobrando e pode deixá-lo guardadinho e rendendo.

Mas se a meta for a aposentadoria, o dinheiro pode ser aplicado no mercado de renda variável (ações) num prazo de dez a 30 anos. "Nesse caso, o tempo da aplicação é maior, assim como a probabilidade de obter ganhos também maiores", diz. Outra dica é a Renda Fixa, como fala Raphael Cordeiro. "Continua sendo o investimento de menor risco e a rentabilidade real, acima da inflação, também é superior a média histórica brasileira, de 7% ao ano", explica. Para os conservadores - que não gostam de arriscar seu rico dinheirinho - há os chamados Fundos DI e os CDBs, que remuneram um pouco acima da poupança (6% ao ano + TR).

O conselho para quem deseja investir em renda variável é direcionar, no máximo, 30% dos recursos para essa modalidade e os 70% restantes para um fundo conservador. "Dessa forma, o investidor elabora uma carteira de investimentos equilibrada e reduz as chances de perda", afirma Gleubert Carlos Coliath, professor de economia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

NO VERMELHO

Bom... se você está no grupo dos que têm saldo negativo no banco, é hora de programar a quitação das dívidas. Segundo Raphael Cordeiro, a melhor opção é solucionar as pendências com o cheque especial e o cartão de crédito, prioritariamente, pois são os que têm as taxas de juros mais altas - alguns do mercado chegam a 13% ao mês! "Geralmente, isso acontece com o sistema rotativo do cartão de crédito", esclarece.

O mesmo raciocínio vale para a prestação da casa própria, para o leasing do automóvel, as dívidas da mensalidade escolar, entre outras. Nessa hora, vale tentar negociar a redução da taxa de juros para pagamento à vista.

Cordeiro explica que, se a pendência, ao longo de um ano, é em média de R$ 1 mil no cheque especial, significa que em um ano você terá pago para a instituição financeira o equivalente R$ 1.200 (pensando em uma taxa de 10% ao mês de juros).

O analista diz que a situação piora entre os que não conseguem controlar os impulsos consumistas. Para essas pessoas, o professor Gleubert Carlos Coliath, da PUC-SP, sugere reavaliar a conduta com relação ao dinheiro. "Essas pessoas precisam aprender a planejar o orçamento da família, colocando na ponta do lápis todas as receitas e as despesas".

Aí, será possível ver onde o calo aperta e por onde, literalmente, o dinheiro escapa. "Depois, a pessoa deve repensar o que deseja para o seu futuro; caso contrário, voltará a cair em tentação e terá grandes chances de estar endividada já no carnaval de 2008", completa.

PLANEJE OS SONHOS

Uma boa dica para conter o impulso é definir o objetivo futuro (seja um imóvel, carro, viagem ou curso), ver o quanto você precisa poupar e em quanto tempo para realizar esse sonho. "A meta deve ser escrita ou registrada em foto para ficar na carteira. Assim, quando a tentação vier, lá estará o seu objetivo", afirma Cordeiro

Gastadores e poupadores precisam lembrar também que, com janeiro, chegam despesas tradicionais, como IPTU, IPVA, matrícula e material escolar, entre outras. Esses gastos desestabilizam as finanças de quem não se programou.

Como moderação não faz mal a ninguém, que tal maneirar nos gastos com presentes no fim de ano? Uma dica valiosa para se planejar para o réveillon de 2008 é ir se planejando durante o ano para não deixar tudo para a última hora. Com certeza, a disciplina trará um "fôlego" no balanço das contas domésticas se não deste fim de ano, pelo menos do próximo!

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