Vida Executiva
Edição 43 - Dezembro/2007
 
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Não sou super-homem nem mulher maravilha
Supere a tentação de parecer o que você não é. Até mesmo os heróis têm seus momentos de medo e reflexão

No cinema, super-homem não passa de uma diversão que proporciona momentos agradáveis em companhia dos filhos. Mas, na realidade, ele é um personagem fictício e inventado - um impostor, que se apresenta e age como o megacrack do management; ou seja, um modelo a ser imitado. Partindo dessa premissa, simulamos nos sete capítulos (ceticismo, conflito, defensiva, crise, medos, silêncio-paz e uma decisão) do nosso livro Não sou super-homem, uma conversa entre um diretor e seu coach. Esse bate-papo não passa de uma conversa do cliente com ele mesmo.

Superada a tentação de parecer o que não se é (um super-homem), fica apenas a realidade com suas luzes e sombras. É bom que seja dessa forma. Afinal, luzes e sombras são complementares e apenas têm sentido quando se relacionam entre si. Todos temos medos - de ficar sem trabalho e de mudanças, só para citar dois - pois nos sentimos vulneráveis. Mas se somos conscientes de nossos medos, usaremos isso a nosso favor para nos fortalecer.

Um bom executivo deve ter humildade para saber gerir o sucesso e superar o fracasso. Deve perguntar e descobrir o talento. É importante também que seja otimista, para dirigir com energia positiva, ter constância, integridade e curiosidade - características que vão permitir enxergar a realidade inquisitivamente.

Mas ele ou ela também devem formar uma equipe na qual todos - a partir da diversidade pessoal - criem um projeto comum e remem na mesma direção. Em síntese: é necessário que seja um bom diretor de orquestra que, se tem músicos à altura, consegue fazer com que o todo soe harmônico. O que é o talento de dirigir se for não liberar ou gerar mais talento?

Assim como um treinador não compete com seus jogadores, o diretor também não deveria competir com seus funcionários. "Dirigir é colocar as pessoas em seus lugares", dizia Ortega Y Gasset. Outras dicas para dirigir bem sem a necessidade de ser super-homem são ter paciência e uma mentalidade de longo prazo. E, claro, saber quando é o momento de correr ou de recuperar - dimensão temporal que é fundamental para que o executivo encontre momentos para investir em si mesmo.

O diretor deve cuidar de sua base filosófica e investir em uma cultura saudável que permita avaliar tudo graças à adoção de idéias firmes. Uma empresa não vence sem imperar sobre ela mesma. Da mesma forma que lógica e emoção não são antagonistas. Ao contrário, andam de mãos dadas. A função de dirigir não é uma linha contínua, mas é parte da vida. E viver, convenhamos, é uma arte.

COLABORADORES

Santiago Álvarez e Cristina Ramírez
Santiago Álvarez de Mon é professor de gestão de pessoas da IESE Business School (www.iese.edu), na Espanha, e Cristina Ramírez é pesquisadora do mesmo instituto

 
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