Vida Executiva
Edição 43 - Dezembro/2007
 
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Luciana Villas-Boas
Paixão pelas letras
A carioca Luciana Villas-Boas trocou uma bemsucedida carreira jornalística por um cargo executivo que permite exercer sua adoração pelos livros

O INTERESSE PELA LITERATURA sempre foi muito forte na vida de Luciana Villas-Boas, 50 anos, diretora da Record Editora, desde 1995, e responsável pela linha editorial da Best Seller – uma das quatro empresas do grupo. Jornalista experiente, com sucesso conquistado em passagens pela BBC, Veja, Rede Globo e Jornal do Brasil, ela se vê como uma pessoa de livros. “Sempre fui mais apaixonada pelo que o livro representa, do que pela notícia e pelo factual, que eu gostava, mas era uma paixão menor”, confessa a executiva, acreditando que a mudança de foco profissional aconteceu sem traumas, principalmente porque chegou na hora e momento certos.

Convencida de que o fator sorte é fundamental para qualquer atividade, Luciana lembra que se o convite para se tornar uma executiva chegasse pelo menos dez anos antes em sua vida, teria recusado com veemência. Não que ela não sonhasse com a possibilidade de editar livros, mas porque achava uma coisa tão maravilhosa – que não lhe parecia possível. “Era muito difícil também. As editoras não eram profissionalizadas nem os salários representavam grande coisa naquela época”, diz, observando que, inclusive, o cenário era pouco favorável à mudança.

Luciana reconhece que também era muito jovem e seria impossível conciliar seu espírito contestador e idealista com atribuições como comandar e decidir pelos outros. “Se alguém me dissesse há duas décadas que eu seria executiva de uma empresa eu não acreditaria. Era muito crítica”, lembra. Infelizmente, a história a fez mudar certas posições. “Era muito preocupada em ser anti-hierárquica, antiautoritária e em ser democrática...”

Sorte do mercado editorial brasileiro que o tempo passou e proporcionou mudanças na maneira de Luciana ver o mundo e as relações. Hoje, observando melhor como as pessoas interagem, ela está convencida de que para a maioria é importante ter direção.

“Acho que muitas pessoas gostam e precisam disso. Se você não proporcionar essa direção, elas serão muito infelizes”, argumenta a diretora da Record, admitindo que essa mudança de pensamento é também uma conquista que só chega com a maturidade. Hoje, sob sua batuta estão nada mais nada menos do que 40 pessoas, incluindo profissionais de marketing.

ORIGINAIS POR E-MAIL Tanto que, em sua rotina, Luciana revela que seria muito mais tranqüilo e produtivo trabalhar no sossego de sua casa, no charmoso bairro do Leblon, zona sul do Rio. Afinal, suas atribuições diárias têm como principal aliado o correio eletrônico. É por ali que chegam novas propostas de livros, lançamentos e informações de todos os mercados editoriais do mundo e leilões. Por e-mail, ela também mantém contato com autores e fornecedores. Ela nem sabe ao certo quantos originais recebe por mês. Sabe apenas que, num trabalho muito intuitivo, faz uma leitura superficial para ter conhecimento do assunto, mas não dá para ler totalmente.

Quer ver ela virar uma menina? Basta entregar-lhe um bom original ou deixála em contato com as novidades do mercado. Já disseram que ela age como uma criança diante do videogame, quando está à frente do computador conferindo e-mails. “Tenho uma relação muito lúdica com o trabalho. Gosto de saber dos projetos, de receber propostas, saber dos livros que estão sendo apresentados no mundo. Estar no meio disso me fascina”. Por isso, quando pega um livro bom, vira seu assunto do dia. “Não falo em outra coisa, conto para todo mundo”, diz, reconhecendo que também o bom ambiente de trabalho que conquistou com sua equipe é um diferencial a mais para estar feliz onde está.

Reconhecendo que está numa fase ótima de relacionamento com seus autores, a executiva também admite que sua atividade é das que mais mistura o profissional com o pessoal, social e afetivo. No diaa- dia, é inevitável não se tornar amiga dos autores. “A relação entre autor e editor é extremamente intensa. O que está em jogo é a obra do autor, que é um filho pra ele”, diz Luciana, que prefere as observações pontuais, para orientar a carreira do autor, do que fazer comentários sobre a obra em si. “Se o livro está tão complicado, é melhor não editar. Eu não acredito no editor que quer opinar a respeito da obra toda e quer praticamente reescrever o livro do autor. Melhor escrever o próprio livro. Às vezes é só um caso de supervalorizar a função”, diz.

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