Vida Executiva
Edição 43 - Dezembro/2007
 
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A dama de ferro do terceiro setor
Com espírito empreendedor, criatividade e muita garra, Evelyn Ioschpe cria estratégias certeiras - tal qual uma empresária - para transformar a vida de centenas de jovens por meio da educação artística

"Quando a gente atua com amor, o resultado tende a ser vitorioso"
SUA FORMAÇÃO NÃO DEIXA A DESEJAR. Jornalista, socióloga e bacharel em Letras, a gaúcha Evelyn Ioschpe parece ter nascido com a tomada plugada em 220 volts. Sua trajetória profissional inclui passagens pelos jornais Correio do Povo e Zero Hora, do Sul. Também já produziu textos que foram reunidos no livro Uso Diário – Uma Antologia de Crônicas (Editora Sulina), ministrou aulas de inglês e coordenou pesquisas sociológicas. Seu maior desafio, no entanto, foi dirigir o Museu de Arte do Rio Grande do Sul, como ela mesma fala.

“Foi minha primeira função executiva. Até então minha experiência estava focada num trabalho de gabinete, pesquisa e redação”, conta. Com a oportunidade, ela não só tomou gosto pela nova área como viu na chance de se envolver com arte e educação um novo caminho – justamente o que faz nos dias atuais. Foi no Museu que Evelyn estruturou programas que deram origem aos projetos da Fundação Iochpe – que foi criada em 1989, exatamente quando ainda nem se falava muito em terceiro setor.

A iniciativa – do conselho da empresa Iochpe-Maxion, que atua nos setores automotivo e ferroviário – deu início a um movimento copiado por centenas de empresas, que resolveram investir no terceiro setor nas áreas de educação, cultura e bem-estar. Na ocasião, Evelyn foi convidada para dirigir a instituição. Proposta aceita, essa gaúcha de Porto Alegre ajudou projetos que estavam na área comunitária a migrarem para a fundação e até hoje garante a excelência de todos eles. Formare e Arte na Escola são os dois programas principais tocados pela entidade e supervisionados pela executiva.

Além da fundação, Evelyn participa do Conselho da Bienal Internacional de São Paulo, Grupo de Institutos, Fundações e Empresa (Gife), Museu Lasar Segall, Associação Menor pelo Esporte Maior (AMEM), Arte sem Fronteiras, Bolsa de Valores Sociais, Care Brasil e Instituto Cultural Judaico Marc Chagall, entre outros. Mas ela também é membro do Grupo Orientador da Fundação Itaú Social e se destacou como organizadora do livro Terceiro Setor – desenvolvimento social sustentado (Paz e Terra, 173 páginas), já na terceira edição.

FORMAÇÃO NOTA DEZ

Segundo Evelyn, o programa Formare foi criado em 1988 dentro da Iochpe-Maxion, na cidade de Canoas (RS), como uma oportunidade de formação profissional para jovens de baixa renda. “Hoje, é um modelo vitorioso de educação nas empresas e se transformou na primeira franquia social do Brasil, pois se estendeu para diversos ambientes empresariais”, conta, satisfeita.

O objetivo do programa é desenvolver as potencialidades de jovens de famílias carentes e moradores das redondezas das empresas para integrá-los à sociedade como cidadãos. Quando formados, os alunos recebem apoio para obter o primeiro emprego.

Dos mais de 5 mil jovens que passaram pelo Formare, 85% estão empregados. Os cursos, com duração de no mínimo 800 horas/aula e certificados pelo MEC, são desenvolvidos pela equipe pedagógica do Formare, de acordo com as necessidades de cada empresa e a realidade da comunidade local. Os funcionários das empresas ministram as aulas durante seu horário de trabalho. Em geral, esses professores são engenheiros, médicos, pessoas de chão de fábrica, seguranças, enfim, colaboradores de todos os níveis. Em comum, eles têm o amor pela atividade voluntária e um treinamento especial para conseguir um ensino de excelência.

"A arte é uma maneira de entender a vida. Ao compreendê-la, você consegue elaborar as suas questões mais íntimas"

REDE SOCIAL

Para comprovar a eficiência desse trabalho, os organizadores do projeto estabeleceram um comparativo entre os alunos Formare e os da rede pública. “O resultado foi interessantíssimo: os participantes Formare tiveram uma performance extraordinariamente superior”, comemora Evelyn. A empresa que deseja participar da Rede Formare deve oferecer instalações com 60 m² para a sala de aula, definir os coordenadores e contribuir mensalmente para o Fundo de Desenvolvimento da Metodologia Formare. Deve ainda oferecer os seguintes benefícios aos alunos: bolsaauxílio, alimentação, transporte, seguro de vida em grupo, assistência médica e odontológica, uniforme, material escolar e assistência social e psicológica.

Atualmente, o projeto atende 74 escolas, 42 empresas parceiras e tem 51 cursos, 1400 alunos em formação e 2528 educadores voluntários. Sua abrangência é internacional: afinal, são dez estados no Brasil e três na Argentina que já fazem parte da Rede Formare.

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