TODA EMPRESA TEM O OBJETIVO DE MELHORAR RESULTADOS, aumentar a produtividade e, conseqüentemente, o lucro. Só que, para isso acontecer, as companhias precisam de gente pró-ativa, ética, comprometida e extremamente competente. O problema é que esses profissionais não estão dando sopa por aí. Portanto, achá-los é tarefa para um time muito especial: os headhunters - consultores de Recursos Humanos que são especialistas em buscar talentos para vagas do altíssimo escalão.
Robert Wong, 59 anos, é um desses caça-talentos. Tanto que foi eleito, este ano, um dos 200 mais destacados do mundo em seu ofício, segundo a revista britânica The Economist. Autor do livro O sucesso está no equilíbrio (Campus/ Elsevier, R$ 37), há 24 anos ele trocou a Engenharia pela área de Recursos Humanos. Radicado no Brasil desde os três anos de idade (Wong nasceu na China), é contratado pelas empresas para selecionar executivos cujos salários ultrapassam, brincando, R$ 1 milhão por ano.
Por conta dessa vasta experiência em literalmente caçar profissionais por aí, ele afirma com segurança que o mercado necessita de gente que enxergue longe e que pense "com a mentalidade de um dono de negócios - que almeja e articula a ampliação de seu empreendimento", compara. O sucesso desses executivos vai depender, portanto, de quanto a auto-estima deles está valorizada. "Qualquer profissional, ao aliar essa qualidade à competência e à capacidade de execução do trabalho, será incrível e dificilmente terá dificuldades para transpor barreiras", diz.
COMPETÊNCIAS
Wong alerta que não se deve confundir auto-estima com arrogância, erro bastante comum no mundo corporativo. "O raciocínio é o seguinte: quanto mais a gente confia, mais conhece e mais tem vontade de aprender", diz. Também não se deve relegar a segundo plano as competências pessoais.
"Afinal", ele explica, "as contratações - independentemente do escalão - se baseiam em competências técnicas e isso é inquestionável, mas as características pessoais são cada vez mais valorizadas". Não é incomum, portanto, uma demissão ocorrer justamente por que o funcionário fez intrigas, não respeitou seus colegas e não uniu a equipe. "Esse comportamento demonstra um desvio ético. Com isso, o executivo estará fadado à exclusão da companhia", diz.
| "Conforme vai subindo na hierarquia das empresas, você não é mais um mero operador. É um gestor de pessoas. A mulher tem uma forma natural de fazer isso, sem precisar ser clone do homem..." |
Embora não acredite em cargos divididos por quotas ou gênero e sim na meritocracia, o consultor afirma que a mulher consegue equilibrar vários aspectos da vida e, por conta disso, começa a marcar seu espaço em áreas antes monopolizadas por homens. "Segmentos como o financeiro, de análise e consultoria, e indústria farmacêutica descobriram isso e também as características delas, como a tolerância", afirma.
Na mira dos consultores
Robert Wong dá as dicas para você despertar a atenção dos headhunters e se sair bem nas entrevistas
>> Monte um currículo objetivo. Além dos dados pessoais, apresente a posição e área que está pleiteando, dê três ou quatro características de suas principais qualificações, sua escolaridade e o histórico profissional - que deve descrever características das empresas, atividades e realizações efetivas que promoveu.
>> No currículo, cite dados precisos de produtividade. Por exemplo: "no período de 2000 a 2005, triplicamos as vendas do produto X no mercado internacional, em X%, gerando um faturamento Y e a contratação de XX funcionários...."
>> Ter o registro de um MBA no currículo é um diferencial, mas pode pesar contra você se for meramente um canudo. Para ter valor, precisa estar relacionado à área em que você atua.
>> Descreva atividades de interesse pessoal, como lazer e ações voluntárias, por exemplo. Nos últimos cinco anos, isso tem têm despertado o interesse das empresas.
>> Cuidado com passagens muito rápidas em empregos anteriores. Para um executivo, um limite mínimo é de cinco anos. A alternância rápida demonstra instabilidade.
>> Antes de ir a uma entrevista, faça o trabalho de casa: estude a empresa. Mostrar desconhecimento pesa negativamente.
>> Tenha uma postura ética, não valorize demais suas conquistas, mas também não esconda ou minta sobre elas.
>> Não tenha medo de apertar a mão e olhar "nos olhos de seu interlocutor".
>> Formule perguntas. A inteligência não está só na resposta certa, mas na pergunta inteligente - que demonstre conhecimento geral e, ao mesmo tempo, curiosidade e análise sobre o mercado em que pretende atuar.