Vida Executiva
Edição 43 - Dezembro/2007
 
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Meu primeiro milhão
As empresárias Chieko Aoki, Edna Araújo e Luiza Helena Trajano têm em comum o fato de já terem conquistado, com muita dedicação e esforço, uma pequena fortuna

TEXTO SUCENA SHKRADA RESK

Segundo Edna, sem promover mudanças seria difícil assegurar um bom lugar no mercado e multiplicar o primeiro milhão. Com faturamento anual de R$ 1,4 milhão, sua empresa emprega diretamente 14 funcionários e indiretamente 50 pessoas mensalmente. Os clientes ultrapassam os 4 mil.

EDNA QUEIROZ Uma bela idéia, bem diferente do que existia no mercado, a levou ao primeiro milhão

MUITA MATURIDADE

O ensinamento às vezes acontece pela dor. “Já perdi um investimento de R$ 500 mil em um bufê por não acompanhar de perto a gestão de funcionários que contratei. Essa situação me trouxe maturidade para selecionar melhor meu staff e valorizar a formação de equipe. Adotei prêmios em dinheiro pela produtividade e o serviço do pós-venda aos meus clientes”, diz.

A mudança de filosofia foi estratégica para o sucesso. “Qualquer empresário tem de se preocupar com os custos e o aspecto de comunicação do empreendimento. “Faço um serviço de telemarketing três meses antes do período de festas com meus clientes e preciso melhorar cada vez mais esse contato. Além disso, também penso nos períodos em que a tendência do faturamento é menor para que possa me adaptar”.

Por exemplo, em janeiro, fica atenta aos congressos; em fevereiro, aos pacotes para o Carnaval. Assim, se antecipa às oscilações do mercado. Analisar o desempenho dos concorrentes é mais um item que não pode faltar, assim como as tendências. “Sou uma mistura de administradora, terapeuta e chefe de cozinha”,finaliza.

SER SIMPLES

Há 15 anos no comando do Magazine Luiza, loja de departamentos, a empresária Luiza Helena Trajano leva a sério a incumbência de dirigir o patrimônio criado por sua família, em novembro de 1957. Hoje, esse patrimônio engloba 380 lojas, distribuídas em 297 cidades de sete estados brasileiros das regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste.

Ao longo destes anos, o faturamento anual saltou de R$ 7,6 milhões em 1990 para R$ 2,7 bilhões este ano. Mesmo com números tão expressivos, a superintendente não se acomoda e já articula a expansão da rede. “Meu desafio nos próximos três anos é ingressar na cidade de São Paulo. Para isso acontecer, terei de inaugurar, no mínimo, quarenta lojas”, diz.

Com uma comunicação simples e direta, Luiza – que é formada em Direito e Administração – está acostumada a fazer palestras para platéias formadas por veteranas raposas do mundo empresarial e do meio político. Mas todos a ouvem com atenção e querem saber como essa mulher, nascida em Franca, no interior de São Paulo, conseguiu uma ascensão tão meteórica no comércio varejista.

Sua fala calma esconde um jeito de administrar certeiro e muito particular. “Não tenho vergonha de ser vendedora. Além disso, sou contra a direção de gabinete”, afirma. É com essa filosofia e com um profundo conhecimento do negócio da família que a executiva foi multiplicando os milhões quando chegou ao comando da rede. Afinal, ela começou a trabalhar na loja aos 12 anos durante as férias e voltou aos 18, ocupando todos os cargos a que tinha direito.

Por essa razão, Luiza Helena também aprendeu segredos, como: trabalhar com preços baixos e oferecer facilidades de crédito. “Tenho um canal direto com o consumidor e acompanho suas reclamações e sugestões. Se necessário, respondo pessoalmente e, a partir daí, faço mudanças. Não podemos menosprezar o consumidor final”, diz

FORMAÇÃO

O segredo está em aliar qualidade, atendimento e logística. Outro ponto que ela considera fundamental para a saúde dos negócios é a formação da equipe.“Defendo plano de carreira e possuo um banco de talentos interno na empresa para a formação de gerentes”, conta. A executiva adianta que estuda a abertura de ações também para os funcionários, como parte da política de benefícios, além da participação nos lucros, que já adota.

Para as mulheres, a empresa criou um cheque de apoio a funcionárias com filhos de até dez anos, para que elas possam deixar os pequenos em creches e trabalhem menos preocupadas. Tudo porque Luiza Helena acredita que “a mulher operária tem de sair de casa com tranqüilidade”.

Motivo de orgulho é, em 15 anos de gestão, nunca ter adotado a demissão em massa para enxugar quadros. Seu critério para reduzir a equipe é a baixa produtividade. “Não admito que se venda, por exemplo, garantia estendida num produto sem o cliente saber”, diz.

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