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Edição 43 - Dezembro/2007
 
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A TV Digital está chegando
Um novo sistema de transmissão está prestes a estrear no Brasil. Saiba o que você precisa fazer para se ajustar ao novo modelo

TEXTO RAFAEL BRAVO BUCCO

"O espectador poderá interagir com o conteúdo transmitido"

A PRIMEIRA COISA A DIZER A RESPEITO DA TV DIGITAL no Brasil é: muita calma nesta hora! É verdade que esse sistema de transmissão está prestes a invadir nossos lares e revolucionar a forma como assistimos televisão, mas ainda não é preciso se preocupar. Vai ser possível esperar alguns (bons) anos para gastar dinheiro e se adequar a essa tecnologia.

Se você não sabe direito sobre o que estamos falando, vamos esclarecer alguns pontos tintim por tintim. Após quase dez anos de impasse – que durou todo o governo Fernando Henrique Cardoso e o começo do governo Lula – fi nalmente foi escolhido um padrão que redefi niria o modo como os sinais de TV são transmitidos.

Atualmente, eles são analógicos. Com isso, os sinais de rádio são enviados pelas emissoras de TV diretamente para os aparelhos dos espectadores. Nos televisores, esses sinais são convertidos em imagens. Qualquer interferência afeta a qualidade do que se vê e ouve.

Com a TV Digital, esse processo vai ser um pouco diferente. As emissoras vão mandar sinais de rádio que carregam informações com eles. Quando chegarem aos aparelhos, esses dados serão interpretados e transformados em imagem e som de altíssima qualidade. Isso signifi ca que interferências praticamente não vão afetar as transmissões digitais. Também quer dizer que o espectador poderá interagir com o que está sendo transmitido.

DA FICÇÃO À REALIDADE

Durante este ano, as grandes emissoras de TV do país realizaram testes com transmissões adequadas ao novo padrão. Globo, SBT, RedeTV! e Bandeirantes têm em seu parque os dispositivos necessários para gravar programas que aproveitem os avanços tecnológicos que o padrão digital proporciona. Para eles, isso signifi ca que a maquiagem dos atores deverá ser menos carregada, que a gravação sonora tem que ser mais cuidadosa e que os cenários precisam ser o mais realista possível ou o espectador vai perceber qualquer falha.

Para quem está em casa, a TV Digital vai oferecer imagem três vezes melhor em formato widescreen – mais horizontal e menos quadrado, semelhante ao de uma tela de cinema – e som de altíssima qualidade. O mais divertido é que você poderá interagir com a programação. Durante a exibição de um programa vai ser possível sintonizar ângulos diferentes da câmera, por exemplo. Mas isso dependerá do tipo de serviço que as emissoras vão oferecer.

Este mês, todas começam a transmitir ofi cialmente no padrão digital para a cidade de São Paulo. Por ser o maior mercado do Brasil em termos televisivos (a pontuação do Ibope é registrada na capital paulista), a metrópole será a primeira a conferir a novidade, a partir do dia 2 de dezembro. Em 2008, as demais capitais vão receber o sinal, mas esse processo pode se estender até 2009. Depois da fase inicial de implantação do sistema em todos os estados, vem a consolidação – que promete durar até 2013, ano em que o Ministério das Comunicações espera ver todas as cidades do país recebendo sinal de TV Digital.

TEMPO DE SOBRA

Com um cronograma tão folgado, você vai ter tempo de sobra para escolher em paz o próximo modelo para a sua sala. Enquanto se defi ne, fi que tranqüila porque todas as emissoras vão mandar sinais de TV analógica junto com os digitais até 2016 para que nenhum lar deixe de acompanhar a programação. E olha que hoje são 163 milhões de pessoas que acompanham TV no Brasil – somos 180 milhões ao todo, segundo o Instituto Brasileiro de Geografi a e Estatística (IBGE). Portanto, vale esperar por vários motivos...

O primeiro deles é que as transmissões começam agora, mas as emissoras ainda não estão confortáveis com essa situação. Além disso, para receber os sinais digitais é preciso ter uma TV com um sintonizador específi co. Como ainda não existe nenhuma desse tipo no mercado será preciso comprar um conversor. Quem comprou um aparelho de tela fi na vai precisar do conversor tanto quanto quem usa a mesma TV gordinha de 14 polegadas na cozinha há 15 anos...

Esses “coadjuvantes” começam a chegar às lojas. Mas também decepcionam. Tudo porque a indústria esperou até o último segundo para defi nir preços e estratégias de venda desse produto e a decisão do governo sobre o padrão digital no país também ocorreu na última hora. Agora, as emissoras começam a transmitir, mas não há ainda quem possua aparelhos compatíveis em casa.

Quem tem TV por assinatura, a cabo ou satélite, não precisa se preocupar. Caberá à operadora oferecer o decodifi cador – que se conecta praticamente a qualquer televisor – capaz de receber a Globo ou o SBT com a qualidade máxima com que serão transmitidos.

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