Christina
Carvalho Pinto, de 53 anos, não tem medo de dar reviravoltas na carreira.
No início da década de 80, demitiu-se do cargo de diretora de criação
da McCann Ericson, uma das maiores agências do país, porque não sabia
se ainda queria ser publicitária. Em 1996, de volta ao mercado, ocupava
o invejável cargo de presidente no Brasil do Grupo Young & Rubicam, gigante
multinacional da publicidade, quando decidiu abrir sua própria agência:
a Full Jazz, hoje entre as 50 maiores do país. Entre seus clientes estão
Varig Log, Nossa Caixa, Samello, Habib's, Siemens e Faber-Castell.
VE A Full Jazz apresenta uma estrutura
diferente das outras. Como funciona?
Christina As agências nas quais
eu havia trabalhado funcionavam como um sistema piramidal, parecido com
a estrutura de uma orquestra na qual o líder é a grande autoridade e os
grandes grupos de instrumentos se agrupam isoladamente: cordas com cordas,
percussão com percussão e assim por diante. A Full Jazz é baseada em uma
banda de jazz: a organização é flexível, mais adequada ao nosso tempo.
Em vez de você ter uma única pessoa que atende o cliente, você tem um
grupo. A Fundação Dom Cabral, uma das mais respeitadas organizações do
país em gestão, nos elegeu há dois anos o exemplo de inovação empresarial.
VE Foi idéia sua criar essa forma
diferente de gestão?
Christina A estrutura surgiu da
minha cabeça, mas logo descobri que era uma idéia que estava no ar. Dias
depois de lançarmos a Full Jazz [no dia 14 de agosto de 1996] saiu uma
edição da revista americana Wired com uma entrevista do pensador Peter
Drucker. Ele dizia que o destino das corporações era se transformar em
bandas de jazz. No ano seguinte, John Kao, professor de Harvard, lançou
o livro Jamming, que é a arte de fazer jazz nas corporações. Foi uma questão
de sincronismo.
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| Com os filhos João Francisco e Renan, há 12 anos |
VE Como decidiu deixar o cargo de
presidente do Grupo Young & Rubicam para abrir a Full Jazz?
Christina Nessa época estava me
separando do Wong [seu professor de tai chi chuan e terceiro marido, pai
de seus dois filhos mais jovens] e vivia um momento pessoal difícil. Por
outro lado, experimentava uma época de grande sucesso profissional. Fui
a primeira mulher na América Latina a dirigir um grupo multinacional.
Mas comecei a sentir uma angústia muito profunda e achei que não queria
mais nada com a profissão. Nesse meio-tempo, numa reunião mundial da agência,
vi que a Young passaria a ser gerida por profissionais da área financeira,
era Wall Street mandando em tudo. A magia, o desafio do mundo das idéias
estava indo por água abaixo. Bastou para tomar minha decisão: 14 dias
depois, tinha a minha agência.
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