Vida Executiva
Edição 7 - Dezembro/2004
 
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entrevista
[ Cristina Carvalho Pinto ]
Show de criatividade

Ela foi uma das primeiras mulheres a ocupar um alto cargo na publicidade brasileira. Depois de sete anos no comando da Young & Rubicam, saiu para criar a sua agência, a Full Jazz, hoje altamente conceituada no país

texto: Ivonete D. Lucírio
fotos: Gal Oppido

Christina Carvalho Pinto, de 53 anos, não tem medo de dar reviravoltas na carreira. No início da década de 80, demitiu-se do cargo de diretora de criação da McCann Ericson, uma das maiores agências do país, porque não sabia se ainda queria ser publicitária. Em 1996, de volta ao mercado, ocupava o invejável cargo de presidente no Brasil do Grupo Young & Rubicam, gigante multinacional da publicidade, quando decidiu abrir sua própria agência: a Full Jazz, hoje entre as 50 maiores do país. Entre seus clientes estão Varig Log, Nossa Caixa, Samello, Habib's, Siemens e Faber-Castell.

VE A Full Jazz apresenta uma estrutura diferente das outras. Como funciona?
Christina
As agências nas quais eu havia trabalhado funcionavam como um sistema piramidal, parecido com a estrutura de uma orquestra na qual o líder é a grande autoridade e os grandes grupos de instrumentos se agrupam isoladamente: cordas com cordas, percussão com percussão e assim por diante. A Full Jazz é baseada em uma banda de jazz: a organização é flexível, mais adequada ao nosso tempo. Em vez de você ter uma única pessoa que atende o cliente, você tem um grupo. A Fundação Dom Cabral, uma das mais respeitadas organizações do país em gestão, nos elegeu há dois anos o exemplo de inovação empresarial.

VE Foi idéia sua criar essa forma diferente de gestão?
Christina
A estrutura surgiu da minha cabeça, mas logo descobri que era uma idéia que estava no ar. Dias depois de lançarmos a Full Jazz [no dia 14 de agosto de 1996] saiu uma edição da revista americana Wired com uma entrevista do pensador Peter Drucker. Ele dizia que o destino das corporações era se transformar em bandas de jazz. No ano seguinte, John Kao, professor de Harvard, lançou o livro Jamming, que é a arte de fazer jazz nas corporações. Foi uma questão de sincronismo.

Com os filhos João Francisco e Renan, há 12 anos

VE Como decidiu deixar o cargo de presidente do Grupo Young & Rubicam para abrir a Full Jazz?
Christina
Nessa época estava me separando do Wong [seu professor de tai chi chuan e terceiro marido, pai de seus dois filhos mais jovens] e vivia um momento pessoal difícil. Por outro lado, experimentava uma época de grande sucesso profissional. Fui a primeira mulher na América Latina a dirigir um grupo multinacional. Mas comecei a sentir uma angústia muito profunda e achei que não queria mais nada com a profissão. Nesse meio-tempo, numa reunião mundial da agência, vi que a Young passaria a ser gerida por profissionais da área financeira, era Wall Street mandando em tudo. A magia, o desafio do mundo das idéias estava indo por água abaixo. Bastou para tomar minha decisão: 14 dias depois, tinha a minha agência.

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