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Perfil [ Maria Regina Yazbek ] A dama da FORMULA1 Em 17 anos de gestão à frente da Movicarga, empresa responsável pela logística do Grande Prêmio Brasil, ela fez o faturamento de sua companhia pular de 600 mil para 25 milhões de dólares por ano. O pódio é dela!
texto: Tânia Angarani foto: Gal Oppido
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| Uma estranha no ninho: assim era tratada quando começou no ramo
de transportes. Hoje todos tiram o chapéu para seus resultados |
Há 12 anos, Maria Regina Yazbek não perde um Grande Prêmio do Brasil
de Fórmula 1. Mas se alguém quiser saber, por exemplo, quem venceu a corrida
de 2004, não pergunte a essa paulistana descendente de libaneses. Embora
tenha chegado ao autódromo de Interlagos, em São Paulo, antes do sol nascer
e ido embora bem depois do último torcedor, ela pode não ter visto a festa
no pódio. E, mesmo que tenha sido atingida por respingos do champanhe
chacoalhado pelos vencedores ou esbarrado no trio nos bastidores, é provável
que não se lembre dos nomes deles. Não se trata de distração. Regina não
vai ao autódromo para torcer, ver os pilotos de perto ou, menos ainda,
"viajar" no ronco dos motores. Para ela, as pistas e os boxes de Interlagos
são lugares de trabalho... e de lucros. H Desde 1992, quando a Movicarga,
a empresa que Regina comanda, ganhou a primeira licitação para carregar
e descarregar a carga da Fórmula 1 de seus aviões (leia-se carros, pneus,
computadores...) muita coisa mudou na sua vida.
MUITA EFICIÊNCIA
Em dias de grande prêmio, quem vê essa loirinha mignon, que não aparenta
seus 40 anos, no comando de uma equipe com mais de 300 funcionários, conversando
com os chefões dos boxes da Ferrari, Williams, MacLaren e outras tantas
equipes, trocando idéias com os comandantes da Formula One Management
(FOM), a empresa que administra o campeonato mundial de automobilismo,
não imagina o que há por trás disso. Ela percorreu um longo caminho para
chegar aonde está.
Em 1987, ao assumir o controle da empresa do pai, se alguém lhe dissesse
que cinco anos mais tarde o faturamento da Movicarga estaria às mil maravilhas,
Regina mandaria o adivinho ao hospício. Motivo para isso não lhe faltava:
na época, com 23 anos, recémformada em Administração de Empresas, sua
experiência profissional se resumia a menos de 24 meses de trabalho no
escritório de uma seguradora. "Eu e minha irmã, Simone, não fomos criadas
para trabalhar", conta Regina. Mas o fracasso do Plano Cruzado fez seu
Alberto Yazbek adoecer. "De repente, ele se viu com metade de suas máquinas
paradas." Foi assim, sem qualquer preparo, que Regina entrou na dança.
"Encarei aquilo como minha grande chance. Tudo o que eu queria era mostrar
a ele que tinha capacidade de fazer a empresa andar."
Regina
não demorou a sentir o sabor amargo do preconceito: nem seus funcionários
a respeitavam, porque era mulher. Mas isso só durou até que ela
mostrasse que poderia ser tão boa quanto qualquer homem |
Na época, o negócio da Movicarga era alugar empilhadeiras para terceiros.
Tinha seis funcionários (que pintavam, engraxavam e cuidavam da sua manutenção).
Os concorrentes eram muitos e os clientes diminuíam a olhos vistos por
causa da inflação. Detalhe: eram todos homens. "Na primeira reunião do
sindicato, um concorrente olhou para o filho e disse: 'É com isso aí que
você vai brigar'", ela conta. Os problemas dentro da própria empresa também
logo deram as caras. Depois de batalhar semanas, Regina conseguiu alugar
dezenas de empilhadeiras para uma empresa no interior de São Paulo. Mas
as máquinas teriam de estar na cidade no dia seguinte. Como na época não
havia celular, ela parou no primeiro orelhão e avisou ao chefe da oficina
que ele deveria preparar as empilhadeiras. Duas horas mais tarde, ao chegar,
nada tinha acontecido. O motivo? Ele não acreditara. Pior: discutiu com
ela na frente de todos. "Era o homem de confiança do meu pai, mas foi
demitido ali mesmo. Os mecânicos ficaram atônitos. E mais ainda quando,
minutos depois, mergulhei a mão na graxa e preparei as máquinas com eles."
Aquele momento foi um divisor de águas. Nascia ali uma mulher disposta
a vencer os preconceitos - mesmo que isso representasse dez horas de trabalho
por dia e outras quatro nos bancos universitários. Foi estudar Marketing
e Finanças. "Aos poucos me impus", conta Regina, enquanto lembra, orgulhosa,
que nenhum dos velhos concorrentes conseguiram sobreviver até hoje.
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